Crítica: Aviões 2 – Heroís do Fogo ao Resgate

aviões 2

Há muitas animações que só ganham continuações pela possibilidade que os estúdios têm, como empresas, de faturar em cima de produtos licenciados e brinquedos. É o que acontece com a franquia “Carros” da Pixar (que tem um terceiro filme encomendado), e seu spin-off “Aviões”, produzido pela Disney, que já tinha seu segundo longa garantido antes mesmo do primeiro estrear.

Não é de se estranhar que o novo “Aviões 2: Heróis do Fogo ao Resgate” (Planes: Fire & Rescue) careça sobretudo de uma história envolvente e empolgante – algo que seu antecessor já deixava a desejar. A continuação apresenta o avião Dusty algum tempo depois de ter se tornado um grande corredor e vencedor do rally “Asas pelo Mundo”. Depois uma falha mecânica, que o leva a causar um incêndio em sua cidade natal, Dusty decide se tornar o novo bombeiro do local. Dusty vai então para uma reserva florestal treinar com outros aviões bombeiros e aprender o valor trazido por se dedicar em colocar a vida dos demais acima da sua.

Isso leva a história para mais uma jornada de superação de Dusty, rodeado por um monte de novos personagens, a maioria sem carisma ou alguma característica que os diferencie (situação similar ao primeiro “Aviões”). Além disso, novamente surge o personagem que se torna o “mestre” do protagonista, guiando-o pelas dificuldades. Este posto é o de Blade Ranger, que inicialmente possui uma aversão a Dusty, mas que não deixa de ajudá-lo, e que assim como Skipper do longa anterior, possui um passado obscuro.

O roteiro é apenas uma reorganização de todos os elementos do predecessor para o ambiente da vida dos bombeiros. Ambiente que, aliás, a narrativa pouco tenta se aprofundar, apesar da mensagem inicial de que o filme seja dedicado aos bombeiros. Um pouco melhor o filme se saí ao demonstrar a importância da preservação de locais naturais e os perigos que tais lugares passam quando batem de encontro com os turistas, sem que para isso vire um filme educativo.

As crianças podem ficar fascinadas pelo mundo colorido e bem acabado dos aviões, não se importando com a profundidade da história, já que o nível técnico segue os padrões das animações atuais. O mesmo não deve acontecer com os adultos. Para os mais velhos pelo menos há algumas piadas (não muito originais, é verdade) que só eles devem entender, assim como as referências às músicas de Valesca Popozuda e ao Compadre Washington, presentes na dublagem brasileira. Também se tem Tatá Werneck dublando, que mesmo não sendo dubladora profissional, traz um pouco mais de carisma à personagem Dipper – a personagem mais engraçada do filme, com seu estilo obsessivo e romântico.

Se aventurar a assistir “Aviões 2” é já ter em mente que irá se ver um produto feito às pressas, sem uma narrativa bem acabada ou envolvente, além de piadas manjadas. Para os adultos que vão acompanhar crianças, é bom não esperar nada do filme, que afinal é quase uma grande jogada publicitária em forma de narrativa cinematográfica.