Análise: Super Smash Bros.

super smash bros 3ds cover

Há alguns dias foi lançado no Brasil o game “Super Smash Bros. para 3DS”, quarto jogo da série de games de luta que unem os mais famosos personagens da Nintendo. É a primeira vez que a série ganha uma versão feita para um portátil da empresa e já desponta como um dos games mais divertidos feitos para o 3DS até o momento.

Graças à variedades de personagens, cenários e itens que o jogo disponibiliza, cada luta, além de única, é altamente imersiva e prazerosa, até mais do que nos antecessores da série. Com novos e antigos lutadores, é fácil aproveitar o melhor daqueles personagens com os quais o jogador já está mais familiarizado, e ainda assim adicionar mais alguns a sua lista de favoritos.

Rosalina, por exemplo, pode ser uma grata surpresa para alguns. A habilidade da personagem em lançar a sua companheira Luma ao longe e atacar com agilidade, sem perder a oportunidade de utilizar algumas técnicas físicas sem a pequena estrela, é bastante útil, ainda que a personagem não seja das mais rápidas. Em um mundo onde as arenas se movem, possuem diversos buracos, inimigos para todos os lados e perigos que aparecem e desaparecem, o quesito velocidade acaba sendo bem útil, e por isso personagens mais lentos como Bowser podem acabam sendo relegados na hora de se escolher o lutador. Isto, entretanto, é algo que pode ser corrigido pelo próprio jogador, graças a possibilidade de customizar um personagem.

Customizando a velocidade, o ataque e a defesa de um personagem, se pode criar lutadores que melhor se adaptem ao estilo de luta de cada jogador. Customizar Miis é ainda mais divertido, pois além de escolher os atributos básicos, se defini os ataques de cada a partir de uma lista (um pouco limitada, é verdade) e customiza-se suas roupas, criando um lutador único daquele jogador.

No modo “Smash Run”, exclusivo desta versão do jogo, é possível aumentar habilidades comuns de cada jogador a partir de uma disputa que consiste em derrotar diversos inimigos em uma espécie de “dungeon” durante 5 minutos, e depois sair para um duelo. É um modo um tanto quanto divertido do jogo, no qual é possível conseguir diversos itens ao se sair vitorioso. Essa variedade de itens para se coletar é outro ponto positivo. São diversos troféus, roupas e habilidades para customizar. Pode-se passar horas à vontade jogando enquanto coleta essa grande gama de “prêmios”. Cumprir os diversos desafios impostos pelo game e liberar os 12 lutadores ocultos são elementos que também devem entreter durante um bom período de tempo.

O problema, entretanto, é ver que alguns desses personagens ocultos não são nada mais nada menos do que cópias de outros personagens. Não há grande diferença na maneira de se jogar com Mario ou Dr. Mario. Os dois praticamente usam as mesmas técnicas, só que um atira bolas de fogo, o outro, pílulas de remédio. O mesmo vale para alguns outros lutadores, inclusive para os que já vem liberados. Há, porém, aqueles que foram beneficiados quando foram divididos em dois. Zelda e seu alter-ego Sheik são dois personagens completamente opostos, ainda que utilizem o mesmo “Final Smash”.

Apesar de divertido, jogar pode ser um pouco estressante em alguns momentos. Há arenas abertas demais e momentos em que os personagens ficam tão pequenos na tela do portátil da Nintendo, que mal se consegue distinguir quem é quem naquele meio. Jogar com um personagem que seja cinza ou de coloração escura, em uma luta contra um grupo de Miis pode virar uma dor de cabeça.

No geral, a Nintendo consegue acertar com seu novo “Super Smash Bros.”, traz um jogo gostoso e com nenhum compromisso com qualquer tipo de história ou lógica, e talvez seja ai que esteja a força da fórmula da franquia. Assim, cada vez mais é possível ousar com o jogo em questão de personagens, arenas e itens utilizáveis, sem se prender a nada, trazendo ao gamers uma feliz experiência.

Advertisements

Crítica: Festa no Céu

festa no céu

Jorge R. Gutierrez já pode ser considerado um veterano na área de animação, pelo menos na televisão. Entre seus vários trabalhos, ele é mais conhecido por ser um dos criadores da série de animação “El Tigre: as aventuras de Manny Rivera”. No desenho, é possível ver características marcantes como as cores vibrantes e o design dos personagens, algo que Gutierrez não deixa de trazer para o seu primeiro trabalho como diretor de longa-metragem: “Festa no Céu” (The Book of Life).

Produzido por Guillermo del Toro e pelo estúdio Reel FX, que lança seu segundo longa de animação para cinema (o estúdio chegou a produzir diversos trabalhos para home vídeo), o roteiro do próprio Gutierrez trabalha em cima das tradições mexicanas em uma história com toques de “Romeu e Julieta”.

Na cidade de San Angel vivem Manolo e Joaquin, dois melhores amigos de infância apaixonados pela mesma garota: a rebelde Maria. No “Dia dos Mortos”, La Muerte e Xibalba, duas entidades espirituais que governam dois reinos espirituais distintos, vão até a cidade e observam o triângulo amoroso. Eles então resolvem fazer uma aposta: La Muerte acredita que Manolo se casará com Maria, enquanto Xibalba confia em Joaquin. Para vencer a aposta, Xibalba trapaceia, ação que acaba trazendo consequências terríveis para a vida de Manolo e seus entes queridos.

Há uma grande coragem aqui em tratar de um tema que tanto assusta crianças (e até mesmo adultos): a morte. Enquanto ela é muitas vezes vista como o fim de tudo, sem possibilidade de retorno, o filme mostra que a ausência de um ente querido e a passagem da vida do mesmo não é o fim. Muito pelo contrário, essa etapa faz parte de um novo começo, algo que acontece até mesmo na animação: quando um dos protagonistas morre, uma nova etapa da história começa. Só é uma pena que isso demore muito para acontecer, pois é justamente nesse momento que a narrativa deixa de ser um romance batido, ainda que divertido, para virar uma aventura empolgante.

Corajosa também é a composição dos personagens que assumem a forma de bonequinhos de madeira, com alguns deles se desmontam em algumas partes do filme. Desse modo a animação ganha uma característica própria e se diferencia das demais produções do gênero. É verdade que toda parte da direção de arte é um primor, com destaque para a sequência no Reino dos Lembrados (local governado por La Muerte, aonde vão os espíritos que são lembrados por seus entendes queridos ainda vivos). A versatilidade de cores que o filme apresenta neste reino e a forma como elas se conjugam, traduzindo para o cinema o “estilo mexicano” sem ficar exacerbado, é um deleite para os olhos. Pequenas sequências de animação bem elaboradas (e que até lembram os trabalhos de Gutierrez na televisão) são um charme à parte. A trilha sonora, que desempenha papel chave na narrativa, também reflete bem o clima do filme, com o único problema sendo o fato de que algumas músicas ficaram estranhas em português.

Acertando na temática e no visual, é uma pena que o filme não se saia bem em outros quesitos. A montagem das sequências, por exemplo, falha em alguns momentos chaves, com cenas se ligando a outras, mas quebrando o clima da sequência anterior. Algumas piadas mais fracas também fazem isso, desalinhando ainda mais o filme.

Uma necessidade do filme parece ser a de se tornar altamente explicativo, com várias informações sendo repetidas inúmeras vezes para o expectador. É algo demasiadamente desnecessário, pois o público, mesmo o infantil, já pegou a informação, geralmente na primeira passagem em que ela é dita.

Ainda com suas falhas, “Festa no Céu” não deixa de ser um filme divertido e uma boa opção, principalmente para a família. Crianças se animarão com as belas cores e os personagens, e com certeza aprenderão importantes lições de aceitação da morte e de perseverança em relação ao amor. Gutierrez pode ficar orgulhoso de seu primeiro trabalho como diretor cinema, e aprendendo com os erros, seu próximo longa pode ser uma verdadeira obra-prima da animação.