Crítica: O Conto da Princesa Kaguya

STUDIO GHIBLI PRODUZ UM DE SEUS FILMES MAIS TRISTES E BELOS

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Pouco antes de anunciar sua paralisação, o Studio Ghibli lançou o longa “O Conto da Princesa Kaguya” (Kaguya-Hime no Monogatari), aquele que pode ser considerado o penúltimo filme do estúdio, que chegou a lançar ainda “Omoide no Marnie” em Julho do ano passado no Japão. A direção de “Kaguya” ficou por conta de Isao Takahata, o mesmo diretor do melancólico e corajoso “O Túmulo dos Vagalumes” – e essas duas características de “O Túmulo dos Vagalumes” também são encontradas em “Kaguya”, ainda que com mais leveza.

O roteiro da animação toma como base um conto folclórico japonês chamado “O Conto do Cortador de Bambu”, narrando a trajetória de uma menina que é encontrada dentro de um bambu brilhante por um cortador de bambu. O cortador de bambu, junto de sua esposa, cria a garota como sua filha e, a partir de uma quantidade significativa de ouro que lhe é dado pelos bambus, ele a transforma em uma verdadeira princesa – ainda que a vida dentro de um palácio não agrade a jovem Kaguya.

O traço da animação se assemelha as antigas gravuras japonesas do início do século XVII e que influenciaram o impressionismo na Europa. As cores vibram e enchem os olhos do espectador. Assistir ao filme é assistir a uma pintura dançante e fluída na tela. As músicas e canções e acompanham as imagens são um charme a parte. Elas se manifestam de forma linda junto aos desenhos. Também há ousadia em se utilizar momentos mais silenciosos, trazendo consigo todas as dores passadas pela protagonista.

Metáforas sobre o crescimento e o amadurecimento pipocam durante o longa. O filme também não tem medo de parecer surreal em vista de acontecimentos mágicos quase inexplicados. Isso se encaixa mais que perfeitamente em uma produção que lida com um conto folclórico e com o cinema oriental, que não se apega as racionalidades cheias de esclarecimentos dos filmes ocidentais.

A história da animação é capaz de encantar pessoas de todas as idades, e seu estilo visual é uma verdadeira expressão artística sofisticada. Uma pena que o Ghibli esteja em uma situação delicada, pois “O Conto da Princesa Kaguya” é mais do que um filme: é uma obra-prima cheia de tristeza, mas também com doses de alegria e beleza. Um dos melhores trabalhos de um estúdio de animação cheio de produções inspiradoras.

Crítica: Invencível

APESAR DAS BOAS INTENÇÕES, DRAMA DE JOLIE ACABA POR SE TORNAR CANSATIVO E COMUM

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“Invencível” (Unbroken) poderia ser mais um desses filmes que chegam aos cinemas despercebidos se não fosse um detalhe: é o segundo longa dirigido por Angelina Jolie. Em sua nova empreitada, a diretora deixa de lado os temas polêmicos, como os que pairavam sobre o seu “Na terra de amor e ódio”, e parte para um drama de guerra baseado em fatos com um apelo muito maior perante o público norte-americano.

O roteiro toma como base o livro homônimo de Laura Hillenbrand, no qual é narrada a história do ex-atleta olímpico Louis Zamperini (Jack O’Connell) durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto fazia parte do exército americano, Zamperini passou dias preso em um bote em meio ao mar e foi feito prisioneiro pelo exército japonês. É fácil se afeiçoar pelo protagonista: a história de tons heroicos possui os elementos dramáticos certos para fazer com que o espectador torça pelo personagem que permanece integro e inabalável perante as maiores adversidades. Não é nada que o cinema – ou qualquer outra mídia – já não tenha mostrado, mas o filme não parece muito preocupado em ser algo inédito. Na verdade, a maior preocupação aqui está em tentar fazer o público se emocionar a maior parcela possível de tempo em que ele estiver dentro da sala de cinema.

As escolhas de Jolie perante a direção demonstram bem isso. Planos fechados que focam no rosto dos atores ou cenas em ângulos mais aberto ao por do Sol, acompanhados de uma trilha sonora que evoca um estado de superação e grande emoção, ocorrem o tempo todo. O tom melodramático do filme é assim alimentado e aos poucos vai deixando a projeção cada vez mais cansativa.

Não que a diretora erre com o filme: as cenas são todas bem fotografadas, se misturando perfeitamente com a direção de arte; o elenco escalado, composto de atores emergentes como O’Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund, atua precisamente bem e é um dos principais pontos positivos do longa. Entretanto, o clima altamente dramático adotado não dá descanso ao espectador e nem uma verdadeira identidade ao longa, que parece uma produção qualquer, ainda que bem feita e com boas intenções.

Como um produto da indústria cinematográfica, “Invencível” possui qualidade, porém, não tem uma personalidade própria. O público deverá gostar da história e até se emocionar, mas não será um longa que marcará de forma que espectadores o guardarão na mente com boas recordações. Com isso, Jolie, mesmo possuindo certa afinidade atrás das câmeras, ainda não mostrou a que veio como diretora. Resta aguardar que em sua próxima empreitada ela demonstre uma capacidade maior não em só filmar bem um filme, mas em trazer a ele algum diferencial marcante.

Análise: Kirby: Triple Deluxe

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Kirby é um franquia que, por mais que não seja uma das mais fortes da Nintendo como Mario e Zelda, continua atraindo jogadores de todos os tipos. Como o intuito dos jogos do personagem sempre foi possuir uma jogabilidade simples, novatos sempre puderam se sentir a vontade com os jogos da série, que não deixavam de serem menos divertidos para os já bem aventurados no mundo dos games (algo que de certa forma, também ocorre com outros games da Nintendo, como o próprio Mario).

Desse modo, o primeiro jogo estrelado pela bolinha cor-de-rosa para o portátil TrêsDS, lançado no início do ano passado, não deixa de ser menos divertido, e ao mesmo tempo simples. Em “Kirby: Triple Deluxe”, Kirby explora o mundo que existe nos céus de Dreamland após um Dreamstalk (uma espécie de pé-de-feijão) brotar no local e criar um caminho para as nuvens. Para ir de um level ao outro é necessário que o jogador não apenas supere cada nível do jogo, mas também colete um determinado número de itens chamados Sun Stones. É algo que não é nada difícil e ocorre de forma quase automática durante a jogatina, porém, essa busca pelas Sun Stones se torna quase que um “desafio” a mais para o jogador, o que é bom para entreter por um tempo a mais.

Durante o game, é necessário mover o aparelho para realizar certas ações; o Streetpass pode te oferecer alguns prêmios melhores durante as lutas com bosses ou mini-bosses; Kirby salta da tela de um plano mais próximo, para um plano mais ao longe; e objetos são atirados por inimigos para cima do jogador e indo para o extra-plano a todo o momento, de forma que jogar “Triple Deluxe” com o Três-D ligado pode ser uma experiência prazerosa para aqueles que gostam dessa tecnologia. A partir desses elementos referentes a jogabilidade e uso da imagem, percebe-se o esforço de “Triple Deluxe” para se mostra como um jogo pensado especificamente para a sua geração e para a sua plataforma, o que é louvável.

Há uma boa variedade de habilidades que Kirby pode “sugar” de seus inimigos, e muitas vezes o jogo exige que o jogador utilize habilidades específicas para conseguir determinados itens. A nova habilidade Hypernova surge algumas vezes, e com ela as coisas se tornam muito mais fáceis, tanto para vencer inimigos, quanto para coletar itens pelo cenário. Alguns itens interessantes de se conseguir são as keychains, chaveiros que mostram algum personagem de um jogo antigo de Kirby (mostrando que a Nintendo valoriza o seu passado, algo que todos já perceberam). Mesmo jogadores que tiveram pouco contato com Kirby podem se divertir recolhendo esses itens para completar toda a coleção de keychains.

O jogo é relativamente curto, e em pouquíssimas horas pode-se finalizar o “Story Mode”. Felizmente, há uma variedade de outros modos dos quais o jogador pode usufruir enquanto joga o modo principal, ou logo depois de finaliza-lo. Entre eles, há o divertido “Dedede tour!”, o não tão divertido “Dedede’s Drum Dash” e os desafiantes modos “Kirby Fighters” e “Arena”.

Com diversão garantida e aquele cuidado especial que a Nintendo traz aos seus exclusivos, “Kirby: Triple Deluxe” não poupa esforços para agradar aos fãs de um bom jogo de plataforma, apesar de sua grande simplicidade e curta duração.

Crítica: A Mulher de Preto II – Anjo da Morte

CONTINUAÇÃO DE TERROR BRITÂNICO NÃO IMPRESSIONA E NEM ASSUSTA

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O aspecto que mais chamava a atenção em “A Mulher de Preto” é o modo como o filme conseguiu trabalhar em cima da já batida fórmula “casa mal-assombrada e fantasmas de mulheres muito alvas”, sem parecer tão batida, enganando o público durante a montagem e o pegando de surpresa para gerar sustos. Isto dava ao filme um aspecto singular e até causava medo. Já a sua continuação não consegue utilizar os mesmos recursos e o filme deixa de surpreender.

“A Mulher de Preto II – Anjo da Morte” (Woman in Black: Angel of Death) é tão previsível quanto qualquer filme de terror comum, e em sua busca para gerar medo e susto a todo custo, a direção de Tom Harper acaba por tomar escolhas fáceis, sem conseguir alcançar seu objetivo.

Em uma história que se passa quarenta anos após o longa original, durante a Segunda Guerra Mundial, algumas crianças refugiadas são levadas para uma mansão no interior da Inglaterra (a mesma do primeiro filme). Lá, Eve Parkins (Phoebe Fox), a professora das crianças, descobre que o espírito de uma mulher assombra o lugar e mata os jovens que por lá residem.

Por utilizar novos personagens, algumas situações do filme anterior se repetem: Eve tem que ir buscar respostas a fim de entender o porquê a fantasma está ali e tentar acabar com a onda de mortes, assim como o protagonista da trama predecessora. Não há muito a se contar sobre a mansão e sua antiga residente além de um detalhe ou outro, com Eve apenas descobrindo aquilo que o público do original já deve saber. As coisas apenas ficam mais fáceis para aqueles que não assistiram ao primeiro filme, uma vez que este longa, por dar as mesmas respostas, pode ser assistido sem problemas pelos desinformados.

Por essa escassez do que mostrar em relação ao seu objeto de foco, o roteiro tenta se preencher com os dramas pessoais de cada um dos personagens principais – como o passado conturbado da corajosa mocinha. Não que isto se torne o foco do filme: na verdade não há muito espaço para o desenvolvimento dessas histórias mais intimistas no meio de toda a trama, mas pelo menos o roteiro torna aquele universo mais verossímil, assim como as atitudes de suas personagens.

As atuações palpáveis de Fox e seu parceiro Jeremy Irvine (que faz o interesse amoroso da protagonista) também se apresentam como um auxílio ao filme, ainda que seja Helen McCrory, no papel coadjuvante de diretora da escola das crianças, aquela que possua a atuação mais perspicaz e sensível de todo o longa – uma pena que sua personagem tenha um espaço tão limitado.

Ainda assim, falta ousadia e sensibilidade na produção em geral. A fotografia derrapa por filmar cenas muito escuras, nas quais quase fica impossível distinguir um objeto ou pessoa, e logo depois contrapô-las com cenas mais claras a luz do dia – o que causa até mesmo um choque visual nos olhos do espectador. A escolha dos planos e movimentos de câmera são todos batidos, e o filme não causa a impressão que deveria. Desse modo, “A Mulher de Preto II” torna-se uma produção que é apenas mais do mesmo e que não possui eficácia para cativar aqueles que gostam de um bom terror.

Crítica: Caminhos da Floresta

MUSICAL INSPIRADO EM CONTOS DE FADAS TEM PRODUÇÃO CERTEIRA E CHARME VISUAL

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Sempre vista como uma “casa dos contos de fadas”, a Disney anda buscando inverter alguns conceitos destas histórias populares em vista do público atual. E que maneira melhor de fazer isso do que adaptando uma peça teatral que já realizava este feito desde a década de oitenta, e ainda contando com o apoio de um diretor renomado? Dirigido por Rob Marshall (de “Chicago” e “Nine”), “Caminhos da Floresta” (Into the Woods) é o novo musical da Disney adaptado da peça da Broadway vencedora do Tony Awards.

Ainda que tenha cara de blockbuster, o filme é quase totalmente fiel à peça, o que deve alegrar aqueles que já conheciam o musical. Fiel também o estúdio e o diretor se mantiveram à visão que é dada pelo musical às personagens populares como Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), Rapunzel (Mackenzie Mauzi) e outros, que se encontram durante a história de um padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt) amaldiçoados por uma bruxa (Meryl Streep).

Entrar nesse mundo de fantasias é extasiante e divertido. Desde cenário até figurinos, tudo se encaixa perfeitamente para desenhar uma atmosfera de magia e comédia com um toque de drama. Marshall é bem-sucedido em suas escolhas visuais, assim como na escolha de seu elenco. Corden e Blunt possuem uma ótima química juntos e com o resto do elenco, dão o tom certo aos seus personagens, conduzem o filme com facilidade, não erram no momento de cantar e são muito engraçados. Kendrick está encantadora como a princesa Cinderela e até mesmo as crianças Lilla Crawford e Daniel Huttlestone (no papel do João do pé de feijão) se destacam. Já Streep é difícil elogiar sem parecer repetitivo, uma vez que a atriz nunca erra na hora de atuar, mas aqui vale destacar o fato de sua personagem passar a maior parte do tempo embaixo de uma grande camada de maquiagem, e que mesmo com este detalhe que poderia ser um obstáculo para alguns atores, Streep consegue dar personalidade à sua cômica bruxa, que é por vezes vilã, e outras vezes a voz da razão no meio daquele universo.

Como todo conto de fadas, há algumas mensagens e morais aqui a serem passadas, tanto para adultos, quanto para crianças. Com o auxílio das belas músicas e dos personagens carismáticos, o filme realiza tal tarefa com perfeição e sem se tornar enfadonho. A direção também sabe escolher o melhor meio de adaptar alguns elementos que são comuns do teatro (como a troca de atos), ou que ficam bem na peça, mas que se tornariam estranhos em uma produção cinematográfica, evitando assim maiores problemas ou estranhamento do público.

Marshall só derrapa na construção de algumas cenas, que poderiam ser mais cômicas, mas que o diretor insiste em lhes dar um clima mais dramático. Também há certa presunção, pois a produção parece querer ter uma cara de grande espetáculo visual, cheios de efeitos e câmeras que se movem sem parar. Isto é uma pena, pois evita que algumas sequências se tornem mais intimistas e causem maior impacto dramático junto ao espectador. “Menos é mais” é uma frase que o filme poderia ter adotado para si em pequenas doses, pois no todo, ele cumpre bem o seu papel.

Crítica: As Duas Faces de Janeiro

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Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Hossein Amini, mais conhecido como roteirista na indústria do cinema, acaba errando justamente com aquilo que lhe é mais familiar: o desenvolvimento do roteiro. Há uma inconsistência em seu “As Duas Faces de Janeiro” (The Two Faces of January), que parece não se decidir se será um drama amoroso ou um suspense.

Baseado em um romance, o título do filme faz alusão ao deus grego Janus, que possuía duas faces, aqui representadas metaforicamente pelos protagonistas Rydal (Oscar Issac) e Chester (Viggo Mortensen). Rydal é um guia turístico americano na Grécia dos anos sessenta, e que acaba conhecendo Chester e sua esposa, Colette (Kirsten Dunst), ambos também americanos. Chester é um vigarista, que sem querer acaba matando um detetive que o perseguia a mando de uma de suas vítimas passadas. Buscando fugir junto da esposa para outro país, ele pede ajuda a Rydal, que se envolve na perigosa trama do casal.

Rydal logo de apaixona pela esposa de Chester e é ai que surge o primeiro ponto negativo da história. O triângulo amoroso aqui formado, além de clichê, é mal desenvolvido. O roteiro sempre tentar mostrar que este pode ser um romance diferente, fora do usual, mas nessa tentativa, acaba por cair nos mesmos problemas que outras histórias similares, torna-se fatigante e de diferente acaba não tendo nada (possuindo inclusive diálogos já batidos). E o pior de tudo isso: perde a linha do bom suspense que havia iniciado a trama, e que só retorna mais ao final da narrativa, mas não conseguindo salvá-la, uma vez que neste ponto o espectador já está cansado da história que vê na tela.

Se o roteiro deixa a desejar, na parte visual o filme encontra sua força. Todas as cores do figurino e dos belos cenários gregos conseguem fazer bem seu papel de realçar o clima de mistério que o longa assume (ou tenta assumir), junto de uma iluminação contrastada e de planos mais fechados. A trilha sonora também atua de modo satisfatório, mas o que segura mesmo o filme, para que ele não se torne tão enfadonho, é sua dupla protagonista.

Issac sabe dar o tom certo a seu Rydal, um jovem esperto e confiante, mas é Mortensen o dono dos melhores momentos do filme. É incrível ver como o ator traz veracidade ao seu personagem, e com tranquilidade o público consegue se afeiçoar por Chester. Um infortúnio apenas é a boa Kirsten Dunst, que fica presa a uma personagem fraca e sem expressão. Colette é apenas uma mulher objeto na vida dos dois personagens masculinos, o objetivo que os dois tentam alcançar, mas ela pouco age na narrativa toda, passando a maior parte do tempo sorrindo de forma boba ou reclamando de algo.

Assim como Colette é uma personagem fraca, “As Duas Faces de Janeiro” também se mostra como um filme fraco, pelo menos no que se diz na parte narrativa. Quem sabe o diretor Amini possa dar uma olhada nos outros filmes em que trabalhou e roteirizou, como o ótimo “Drive”, e assim corrigir seus erros para um futuro longa e não derrapar com aquilo que ele já mostrou que sabe fazer bem.

Crítica: Quero Matar Meu Chefe II

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Um fato interessante da comédia “Quero Matar Meu Chefe” (Horrible Bosses) é perceber como os três protagonistas da história, Nick (Jason Bateman), Kurt (Jason Sudeikis) e Dale (Charlie Day), conseguem causar empatia em seu público justamente por exporem os desejos mais comuns de um trabalhador que sonha em crescer na vida profissional. No primeiro filme, eles eram descontentes com o modo como seus chefes os tratavam, enquanto neste segundo filme, almejam se tornarem seus próprios chefes (algo que muita gente deseja hoje em dia).

A oportunidade surge quando eles criam uma ducha de banho revolucionária. Buscando investidores, eles são enganados pelo rico empresário Bert Hanson (Christoph Waltz) e acabam entrando em risco de falência. Para se vingarem e conseguirem o dinheiro necessário para continuarem com seus negócios, eles decidem sequestrar Rex (Chris Pine), o filho de Bert. A ideia, claro, da errado e sai fora do controle.

Seguindo o mesmo estilo de humor que seu antecessor, a comédia não se limita com moralidades, de forma que algumas piadas e personagens podem parecer ofensivos e machistas. Porém, desconsiderando este fato (e que felizmente ocorre poucas vezes), o filme consegue ser bem divertido, até mais que o primeiro. Isto acontece muito graças à boa dinâmica do trio protagonista e as sacadas do roteiro bem trabalhado na comédia.

A história, entretanto, está longe de ter a originalidade do primeiro filme. Não é difícil adivinhar como o filme vai se desenrolar, pois a fórmula aqui é a mesma do predecessor. Todos as confusões e as saídas delas acontecem de forma similar, sendo difícil não pensar que “Quero Matar Meu Chefe 2” é apenas uma cópia do original.

A diferença aqui é que o enredo demora mais para se desenvolver, pois o filme insiste em inserir a participação dos “chefes” do longa passado, no caso, Julia (Jennifer Aniston) e Dave (Kevin Spacey). Quando esses personagens estão em cena, a história não se desenvolve, fica parada, pois esses personagens pouco têm a acrescentar à narrativa. A salvação acontece quando essas cenas (principalmente as de Aniston) se mostram divertidíssimas. Elas são irrelevantes para a trama principal, mas não deixam de arrancar gargalhadas do público, algo que não acontece tanto quando os novos personagens Rex e Bert são o foco da atenção.

“Quero Matar Meu Chefe II” não falha em sua missão de fazer rir, muito pelo contrário, o filme é prazeroso e divertido. Ainda assim, é difícil não notar as diversas falhas que ele possui, ainda que elas sejam mascaradas pela humor bem executado.