Review: Sailor Moon Crystal – Arco 1

sailor moon crystal 1

Texto originalmente publicado em 18 de janeiro de 2015

Desde de Julho do ano passado está em exibição no Japão e no Brasil via streaming o anime “Sailor Moon Crystal”, nova adaptação  do famoso mangá de Naoko Takeuchi. Garantindo ser mais fiel ao mangá do que a adaptação original de 1992, a produção cumpriu sua promessa, ao mesmo tempo em que deixou a desejar em determinados quesitos – e aquele anime que pareceu tão promissor, não alcançou todo o potencial que podia.

De fato, “Crystal” seguiu o mangá fielmente, e ainda foi capaz de adicionar mais detalhes a trama de alguns personagens e se tornar um complemente da obra original. Um grupo de personagens que recebeu maior atenção nessa nova versão foi o grupo dos 4 Reis do Dark Kingdom, a organização vilã do primeiro arco de Sailor Moon. O passado de Jadeite, Zoisite, Kunzite e Nephrite foi explorado de forma que nem mesmo o mangá havia feito, bem como a relação deles com as quatro guerreiras Sailors guardiãs da princesa da Lua. Isto trouxe um maior arco dramático não só para os vilões, mas também para as heroínas Sailor Mars, Mercury, Vênus e Júpiter.

Por outro lado, a história de Usagi, a Sailor Moon, junto de Mamouro não se diferenciou muito daquilo que muitos já sabiam. A Rainha Beryl, uma das principais antagonistas, teve uma participação maior neste novo anime, mas nada que realmente chamasse a atenção. Ainda assim, essas histórias foram bem desenvolvidas e como principal foco do primeiro arco, foi capaz de manter o espectador interessado em seu desenrolar durante a maior parte do tempo.

A trilha sonora é charmosa (ainda que não tão charmosa quanto a do original de 1992) e os temas próprios de cada Sailor trouxeram mais identidade para alguns episódios. O problema de “Crystal”, entretanto, foi falhar no que lhe era mais básico: a animação.

O que se viu durante os 14 primeiros episódios pouco parecia com as belas imagens de divulgação do anime. Olhos tortos, braços que se moviam como se fossem feitos de borracha, lutas mal animadas, esse pequenos erros foram crescendo durante os episódios até que chegou a um ponto que era difícil assistir “Crystal” e de fato sentir a emoção transpassada pela história, pois a todo momento os erros da animação desanimavam quem assistia. Agora a Toei tenta corrigir esses erros com o lançamento em DVD no Japão, mas poderia ter feito isso antes, durante o processo de produção – é difícil acreditar que os animadores não perceberam que havia algo errado ali antes.

Não é como se tudo tivesse sido mal feito, muito pelo contrário. O primeiro episódio foi bem animado, assim como o quinto (o melhor na minha opinião) e o décimo quarto. As transformações das Sailors também eram divertidas, conseguindo misturar o 2D e o 3D de forma agradável e as cores do anime traziam beleza para a produção. Porém, com a quantidade de outros erros, muita gente ficou desanimada, e aqueles que já criticavam o visual do novo anime, tiveram mais um motivo para falar mal de “Crystal”.

Resta agora esperar que no “Arco 2 – Black Moon”, a Toei corrija seus erros e entreguem aos vários fãs de “Sailor Moon” um produto a altura daquilo que eles esperam, pois, história eles já tem, só precisam se preocupar em não cometer as mesmas gafes com a animação.

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Análise: Gone Home

gone home “Gone Home” é um game indie em primeira-pessoa que não é nenhum pouco novo. Ele fez muito sucesso no em 2013, mas só agora eu fui pegar para jogá-lo (graças à indicação de uma amiga). Ainda que não seja novo, a experiência que eu tive com o jogo foi um tanto quanto instigante, e eu precisava falar um pouco sobre ela e sobre o próprio jogo. Na história de “Gone Home”, você é Kaitlin, uma garota de 21 anos que acabou de chegar de voltar para casa após uma viagem no exterior de um ano. Ela encontra o local totalmente vazio. Não há sinal de seus pais e na porta há apenas um recado de sua irmã mais nova, Sam, dizendo que lamenta por não estar ali para recebê-la. O objetivo do jogo é fazer o jogador explorar a casa, descobrindo coisas sobre o último ano da família e sobre Sam, a irmã mais nova de Kaitlin que deixou uma série de recados para a irmã mais velha. A relação de Sam com a irmã e tudo o que ela passou no último ano é o que guia a narrativa e prende a atenção do jogador. Não há muita novidade no modo como a jogabilidade de “Gone Home” é elaborada, mas a história bem planejada é que torna a experiência tão interessante (aquela frase “Eu jogo o jogo por causa da história” se encaixa perfeitamente neste caso). Explorar cada cômodo, cada sala, traz pistas sobre a vida de Sam e partes do seu diário, de modo que é preciso ficar atento a cada detalhe para não perder nenhuma parte da história, ainda que não seja preciso descobrir todos os detalhes de “Gone Home” para finalizar o game. Na verdade, é possível terminar o jogo em poucos minutos se o jogador descobrir algumas determinadas pistas rápido. Entretando, essa possibilidade exploratória e envolvente que o jogo traz é seu grande chamariz e é o que faz “Gone Home” ser tão interessante. O jogo é curto: eu demorei 2 horas para terminá-lo. Porém, para aqueles que querem uma experiência envolvente e que ainda de quebra, é cheia de referências aos anos 90 (década em que se passa o game), esse jogo está mais do que recomendado.

Review: “A Lenda de Korra” 4ª e Última Temporada

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Desde “Avatar: A Lenda de Aang”, os criadores da série, Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, nunca se amedrontaram em tratar de assuntos considerados maduros e dramáticos para uma audiência infanto-juvenil. Muito pelo contrário, isso foi o que deu força à narrativa de Aang e com “A Lenda de Korra” não foi diferente.

O início do Livro 4: Equilíbrio, que simboliza a quarta e última temporada, trouxe uma heroína abatida psicológica e fisicamente pelos eventos da temporada anterior. Durante estas quatro temporadas, Korra sofreu, bem mais do que Aang, mas também evoluiu. No começo desta temporada, ela passou um longo tempo longe de seus amigos, e por um momento, até de seus familiares, mas isto fazia parte de sua trajetória. Apesar de estar abalada mentalmente, a Korra que surge no começo desta temporada era uma Korra mais humilde e por vezes sábia do que aquela vista no Livro 1: Ar, e que se transformou ainda mais durante este último livro.

Korra enfrentou seus medos, ficou mais forte e aprendeu a perdoar seus inimigos. Ela também entendeu que em seu papel como avatar, estará sempre aprendendo para se tornar uma pessoa melhor. Só analisando como Korra se transformou nesse livro (tornando-se uma personagem até mais carismática), já é possível ver como esta última temporada soube desenvolver bem sua linha narrativa. Embora nem sempre tenha sida o mais surpreendente, todas as atitudes e escolhas dos personagens, bem como as saídas narrativas, foram bem plausíveis, ao menos naquele universo.

Além de Korra, o outros protagonistas não ficaram esquecidos. Tivemos a relação de Bolin com Opal, que começou conflituosa, mas acabou em um final feliz. Mako teve maior importância como guarda-costas do arrogante, porém, engraçado, príncipe Wu (que também aprendeu algumas lições) e Asami, além de se aproximar de Korra, algo que já ia sendo desenvolvido aos poucos na terceira temporada, perdoou seu pai pelos erros cometidos no início da série.

Toph, uma das personagens mais amadas de “A Lenda de Aang”, fez uma participação especial, ajudando Korra a se tornar uma avatar melhor e se desculpando pelo erros cometidos no passado com suas duas filhas, Lin e Suyin. Em uma ótima cena de um dos episódios, os roteiristas da série até fizeram uma rápida brincadeira com um dos mistérios da série: quem seria o pai de Lin? A relação das duas irmãs também cresceu (ainda que já estivesse estável desde a temporada passada), com as duas estrelando algumas ótimas sequências de ação.

Um dos destaques da temporada foi a vilã Kuvira. Embora ela não tivesse a mesma relação intimista com Korra que os outros vilões da série tiveram, ela demonstrou bem as ambições e os meios utilizados por um ditador. Kuvira era a figura da ditadura militar que faltava a série. Ela também era o espelho de Korra, algo que ficou bem explícito no fim da temporada. Ambas tinham ambições similares, mas escolheram lados opostos.

O alívio cômico ficou com o divertido Meelo (que teve poucas, mas memoráveis cenas, além de um episódio para ele e seus irmãos) e Varrick, que se aliou a Bolin e começou a perceber que gostava de sua ajudante Zuh Li, com quem no final acabou se casando. Engraçado que até mesmo Zuh Li sofreu transformações nesta temporada, finalmente revelando seus sentimentos para Varrick. E se houveram personagens que ficaram diminuídos durante este quarto livro, o motivo era simples: suas histórias já haviam se fechado nas temporadas posteriores e inseri-los aqui não iria funcionar.

As personagens femininas forte foram as estrelas de “A Lenda de Korra”, não só nesta temporada, bem como nas outras. A protagonista aqui é uma mulher, mas ela tem a ajuda de outras mulheres, como Jinora e as irmãs Beifong, e nesta temporada especifica lutou com uma, em duas ótimas sequências de batalhas (as duas em episódios separados), mas sua relação mais forte foi com Asami.

O final que os criadores deram para a série, deixando no ar se Korra e Asami formaram um casal ou se eram apenas amigas saindo no mundo para viajar, foi mais do que digno e possível das duas interpretações. Se você acha que as duas eram apenas amigas, tudo bem. Mas na minha opinião, talvez tenha ficado explícito que, assim como Varrick apreendeu, amar alguém significa ser parceiro desta pessoa. Korra e Asami eram parceiras e provavelmente amantes, uma vez que a montagem da cena final de “A Lenda de Korra” é basicamente a mesma em que mostrava Aang e sua futura esposa Katara se beijando, faltando aqui apenas o beijo. Também vale lembrar a última coisa que Tenzin disse a Korra: a vida é uma viagem instável, e talvez o que DiMartino e Konietzko queira expor para o público é que no amor isso também não é diferente.