Crítica: Divertida Mente

divertida mente

UM DOS MAIS CORAJOSOS ACERTOS DA PIXAR

A primeira vez que ouvi falar de “Divertida Mente” (Inside Out)  em 2011 o filme nem ao menos tinha nome, era apenas chamado de “o filme da Pixar que se passa dentro da cabeça”. Na época, fiquei curioso em saber como seria tal filme e também pelo fato de que o diretor Pete Docter estava tocando o projeto, sendo que ele já havia dirigido “Up – Altas Aventuras”, uma das minhas animações favoritas.

O tempo passou, o filme foi ganhando suas primeiras informações, detalhes dos personagens, teaser, trailers e eu acompanhei tudo com grande expectativa. Felizmente, a Pixar não decepcionou e conseguiu fazer um trabalho que será eternamente lembrado, junto com muitas outras animações do estúdio.

A trama de “Divertida mente” se passa dentro da cabeça de uma menina de 11 anos chamadas Riley. As emoções Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva comandam o dia a dia da menina, sempre evitando problemas e possibilitando que sua personalidade continue intacta. Isto até o dia que Riley e seus pais mudam de cidade, criando situações cada vez mais complicadas para a garota. Como se não bastasse isto, Tristeza acaba alterando a memória da menina. Alegria, na tentativa de consertar o erro, acaba caindo junto de Tristeza em um labirinto de memória à longo prazo.

A Pixar sempre foi muito boa em pegar ideias criativas e criar pequenos universos com elas. Em “Divertida Mente” o estúdio faz isto sabendo inserir cada detalhe que envolve a mente de uma pessoa (não precisa ser necessariamente uma criança) e inserí-lo na história. Durante sua jornada pelas memórias de Riley, Alegria e Tristeza vão parar no centro dos pensamentos abstratos, encontram o estúdio dos sonhos (que se assemelha a um estúdio de cinema) e entram no subcosciente da garota. Tudo isto em um processo de desenvolvimento que faz com que as duas personagens evoluam (principalmente Alegria) e entendam a importância que elas tem em manter a ordem dos sentimentos e pensamentos de Riley.

Todo esse mundo de dentro da cabeça é construído com personagens muitas vezes sem forma definida, o que é totalmente plausível uma vez que eles vivem dentro da cabeça. Os cenários coloridos ressaltando o fato de que vemos o interior da mente de uma pessoa, ou seja, um cenário muito abrangente e complexo, em que a dicotomia passa longe.

Um fato é que a Pixar sempre conseguiu trazer personagens complexos para as animações familiares, mas aqui o estúdio se supera. Não há vilões ou heróis, todas as emoções tem seus defeitos e suas qualidades, chegando a ser interessante perceber que mesmo que esses personagens sejam ligados a um só sentimento, eles apresentam uma alta complexidade de caráter.

Pete Docter conduz o filme com seu estilo característico, onde comédia e ação fazem parte, mas momentos silenciosos e reflexivos. A trilha sonora de Michael Giacchino reforça esse tom intimista que o filme possui e precisa ter – afinal, estamos falando da mente humana.

Pode ser estranho falar isto do estúdio que trouxe “Toy Story”, Wall-E” e “Up-Altas Aventuras”, mas “Divertida Mente” é provavelmente o trabalho mais corajoso da Pixar. Não somente por se passar dentro da mente humana, mas também por expor como essa mente é complexa e como sentimentos vistos como medo, tristeza, nojo e raiva, que são considerados “ruins”, são importantes para a formação da personalidade de qualquer pessoa.

“Divertida Mente” consegue emocionar facilmente até mesmo aqueles com coração mais duro, mas também possui ótimos momentos cômicos, que tiram gargalhadas da platéia. É mais uma obra de arte de grande criatividade da Pixar e um dos melhores filmes de 2015 até agora.