Crítica: Mogli – O Menino Lobo

012972COM ÓTIMOS EFEITOS, MOGLI É UM FILME CAPAZ DE AGRADAR A TODOS OS PÚBLICOS

Desde que encontrou nos remakes live-action de seus longas animados clássicos uma fonte de sucesso garantido, a Disney tem investido cada vez mais na produção destas atualizações. A aposta deste ano (que também terá a continuação do live-action de ‘Alice no País das Maravilhas’) é “Mogli – O Menino Lobo” (The Jungle Book), nova versão da produtora para a história do escritor Rudyard Kipling, que se diferencia dos demais remakes da Disney por não ser exatamente um live-action, uma vez que a maior parte dos “atores” são animais computadorizados.

O roteiro recria o conflito de Mogli, que foi criado pelos lobos e pela pantera Bagheera, com o tigre Shere Khan , que não aceita o filho de homem na selva. Ao contrário da animação, há uma dose grande de “seriedade” na história, realçada pelas diversas cenas dramáticas e de ação, mas o caráter lúdico que os animais do longa podem proporcionar não é deixado de lado.

Tais animais são o principal chamativo do filme, pois o trabalho de criação dos mesmos é tão bem realizado que muitos ali parecem ser reais – com destaque para a cobra Kaa – e mesmo a busca por um realismo na hora de representar tais personagens não diminui à capacidade do filme em fazer o espectador criar um vínculo com os mesmos: eles se expressam de forma verossímil por seus olhos e boca.

Seria perigoso caso esses animais assumissem características cartunesca que os desvencilhassem de toda a construção visual do filme, mas isso nunca acontece e lobos, panteras, tigres e cobras podem ser alinhar de forma consistente com os belos cenários recriados pelo filme. Infelizmente, no meio de todos esses animais incríveis, o próprio Mogli interpretado por Neel Sethi acaba por ficar apagado e agrada pouco com a seu gesticular sem naturalidade.

A narrativa é bem balanceada e capaz de agradar tanto adultos, que serão fisgados pelas ótimas sequências de lutas e perseguições na selva criadas pelo diretor Jon Favreau com perspicácia, quanto crianças, que se divertirão com piadas leves e de fácil compreensão. Outro lado positivo – e esse merece grande atenção – é a trilha sonora do longa, que não somente recria algumas das músicas cantadas da animação de 1967 já conhecidas do público (como a ótima “Bare Necessities”), como também reutiliza alguns temas instrumentais – algo que é notável especialmente na cena inicial do longa, que emprega os mesmo acordes da sequência do começo da animação.

A versão do filme exibido para a imprensa foi a dublada, que acabou sendo prejudicada pela voz aguda do próprio Mogli e pelo trabalho de Thiago Lacerda como o tigre Shere Khan. Os outros atores, felizmente, se saem bem – com destaque para a breve participação de Aline Moraes como a serpente Kaa – ainda assim, ter dois personagens de alta importância mal trabalhados acaba por tornar a versão nacional do filme exaustiva. O 3D do filme também não é percebido e em nada influência a experiência do espectador.

O maior acerto do novo “Mogli – O Menino Lobo” é conseguir dar um tom mais sério a essa história (algo que a Disney tentou em suas produções passadas, mas não teve tanto sucesso), ao mesmo tempo que consegue criar um longa leve e infantil. Trata-se de um filme divertido para toda a família e que não mancha a história da animação clássica de 67.

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