Crítica: Um Homem chamado Ove

Há quem diga que quanto mais velhos ficamos, menos gostamos das pessoas. De certa forma, o protagonista do longa “Um Homem Chamado Ove” (En man som heter Ove) pode ser encaixado como um exemplo deste tipo de pensamento. Entretanto, se há algo que o filme dirigido por Hannes Holm tenta provar é que, por mais rabugenta uma pessoa possa ficar na velhice, ela nunca deixa de perder sua essência interior, seja ela boa ou ruim.

Baseado em um romance de mesmo nome, a trama acompanha Ove (Rolf Lassgard), um velho rabugento que sofre todos os dias pela morte da esposa (como uma versão em carne e osso de Carl Fredricksen, de Up – Altas Aventuras). Após perder o emprego, Ove percebe que tudo aquilo pelo o que viveu se foi e acredita que está na hora de ele “ir” também. Ele decide se suicidar, porém, uma série de eventos o impede de realizar tal feito.

Como é de se esperar, diversos personagens surgem na vida do protagonista, que acaba aos poucos mudando o seu jeito de perceber o mundo e as pessoas – e no fim descobrimos que ele não é tão mau assim. No geral, o roteiro consegue amarrar a subtrama de cada uma dessas personagens com a de Ove, de modo que a relação do protagonista com o vizinho Rune e com a nova vizinha Parvaneh são parte do cerne da história. Acontece que há um excesso de personagens, e algumas dessas subtramas propostas pelo filme ficam mal resolvidas ou não demonstram sua real importância dentro da narrativa do longa.

A trama se fragmenta entre presente e passado, com as lembranças de Ove sendo expostas na tela e detalhadas por uma narração do próprio personagem. Tal artifício da narração é positivo nos momentos iniciais, para que o espectador compreenda com maior agilidade a relação de Ove com o pai e com a esposa, mas acaba por cair na redundância depois da metade da projeção, conforme Ove parece apenas reafirmar aquilo que já compreendemos perfeitamente pelas imagens em sua cabeça.

A história de Ove é melodramática, um fato reforçado por sua constante trilha sonora, mas o longa tem seu mérito por conseguir prender a atenção de seu espectador em junto à narrativa. É algo que ocorre não só pela boa dinâmica da montagem, mas também graças à ótima atuação de Lassgard. Pode-se dizer que a construção de Lassgard em um Ove pesaroso e ranzinza, mas que não deixa de se afeiçoar pelos demais, é o principal motivo do espectador para continuar a acompanhar a trajetória do velho viúvo. Nem mesmo o tímido e pouco expressivo Filip Berg, que faz um Ove mais jovem, conseguem diminuir o personagem quando se tem Lassgard agindo na concepção da persona idosa.

“Um Homem Chamado Ove” tem sua dose de pieguice, e sua indicação ao Oscar de Longa Estrangeiro parece indicar um certo apreço da academia por longas com cargas sentimentais altas. Porém, a trama bem alinhada com um humor sarcástico é capaz de superar o piegas e torna o filme uma obra apreciável.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s