Crítica: Power Rangers

power rangersNOVO LONGA CONSEGUE RENOVAR A FRANQUIA DOS HERÓIS DA SABAN

Com mais de 20 anos de existência, a franquia Power Rangers (inspirada nos Super Sentais japoneses) tem se mantido viva na televisão com várias temporadas que têm como base uma trama de premissa simples, mas de fácil apego pelas crianças. Entretanto, mesmo o tempo chega para os Rangers, sendo notável que os seriados não têm o mesmo apelo que tinham na década de 90. Buscando transportar a história dos heróis coloridos para o cinema (algo já realizado durante o auge da série de tv nos anos 90) e atrair a atenção do público de filmes de heróis atuais, a Saban e a Lionsgate se uniram para dar vida a um novo “Power Rangers”.

Há uma reinvenção da história dos heróis coloridos para agradar uma nova geração, ao mesmo tempo em que mantém elementos e personagens da primeira temporada da série – para deixar aqueles mais nostálgicos em euforia. A trama se passa na Alameda dos Anjos, onde cinco jovens (Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini), sem querer encontram cinco moedas que lhes conferem habilidades sobre-humanas. Logo eles são convocados por Zordon (Bryan Cranston), um ser alienígena que lhes conta que os jovens devem se tornar os novos Power Rangers a fim de derrotarem a ameaça da feiticeira Rita Repulsa (Elizabeth Banks).

A narrativa é construída de forma muito mais séria que nas séries de televisão, mas segue uma estrutura básica dos filmes de origem de super-herói. Isto não significa que o filme não tenha seus méritos e não se destaque entre as demais produções. “Power Rangers” ganha força quando se distância dos filmes da Marvel e da DC e aposta em uma trama adolescente. Há diversas temáticas relacionadas a juventude abordadas pelo filme, desde o já batido bullying, até questões como problemas familiares, sexualidade e slut-shaming (sim, estou falando do filme dos Power Rangers). Mesmo que nem todas essas questões sejam aprofundadas e que alguns clichês sejam aplicados, é bom ver um filme com o alcance deste aqui abordando tais assuntos.

Os personagens também são bem desenvolvidos, em especial Jason, Kimberly e Billy, que possuem maior tempo de cena e praticamente ancoram toda a trama. Zack e Trini possuem a sua vez, mas de forma tardia e em alguns momentos o roteiro parece forçar uma leve mudança de personalidade destes dois para que eles consigam interagir com os demais.

Há uma ótima química entre o elenco principal, com Dacre Montgomery (Jason) e Naomi Scott (Kimberly), sabendo conduzir seus arcos narrativo com firmeza. Já Ludi Lin (Zack) extrapola na atuação em alguns momentos, enquanto Becky G. (Trini) não é de todo mal, mas deixa sua personagem muito unidimensional. RJ Cyler (Billy), é quem mais se destaca dos cincos, sabendo transpor para a tela um Billy carismático, engraçado, mas que não deixa de apresentar problemas pessoais. A Rita Repulsa de Elizabeth Banks é um pouco disforme: hora parece uma vilã exagerada e sem graça, hora revela seu lado mais sério em seus melhores momentos.

O filme consegue dar conta de trazer à tela bons efeitos especiais na maior parte da projeção, ainda que deslizes ocorram – o monstro Goldar criado por Rita é um exemplo a parte de má aplicação de efeitos e péssimo design. Os trajes e os zords são um pouco exagerados em seus detalhes, e não é incomum que em alguns momentos a tela pareça muito poluída, mas não se trata de algo que estrague a projeção como um todo (apenas um detalhe que pode ser corrigido em filmes futuros, já que este planeja ser o primeiro de uma nova série). Para aqueles acostumados com a série de tv cheias de lutas de artes marciais, “Power Rangers” pode ser um pouco frustrante, já que a maior parte da ação ocorre com os Rangers dentro de seus zords. O diretor Dean Israelite também abusa dos cortes nas cenas de ação, mas se há erros pequenos aqui, a direção de Israelite sabe proporcionar no restante do longa um ritmo ágil bastante agradável e envolver o espectador com a história.

O roteiro faz um bom trabalho expondo diversos elementos do mundo dos Power Rangers, ainda que para isso recorra a alguns diálogos expositivos. O interessante é notar que há um “universo” próprio sendo construído, e isto o filme faz muito bem, já que todas as ideias são bem encaixadas. Se “Power Rangers” não oferece grandes novidades às narrativas de super-heróis, o longa ao menos consegue apresentar uma identidade própria, renovar a franquia e trazer uma história bem costurada.

P.S.: O filme possuí uma cena no meio dos créditos.

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