Review: B: The Beginning

B: The Beginning é uma série um tanto quanto instável. Se por um lado apresenta uma boa premissa e consegue desenvolver um suspense mais ou menos interessante, por outro, o novo anime original da Netflix peca por utilizar soluções fáceis em alguns pontos de sua narrativa, que obscurecem os momentos realmente inteligentes de obra.

Produzido pelo estúdio Production I.G. (que trabalhou em um anime do Batman e em filmes de Pokémon), a obra é dirigida por Yoshiki Yamakawa e Kazuto Nakazawa (este último, ajudou a dirigir a sequência animada do primeiro Kill Bill) e envolve uma trama policial, junto de elementos de ficção científica e fantasia. Trata-se de uma mistura um tanto quanto estranha, e um dos motivos do porquê a obra em alguns momentos parece saltar de um sub-gênero a outra de forma apressada e pouco razoável.

A trama se desenvolve em um futuro não tão distante no reino fictício de Cremona, e segue duas histórias paralelas que se cruzam: a primeira é a de Keith, um detetive que se une a um conjunto da força policial do reino para tentar encontra um assassino serial killer (que mata outros serial killers) chamado Killer B; a segunda história é a do próprio Killer B, um rapaz chamado Koku, cujas as intenções obscuras  configurariam um spoiler leve caso eu as revelasse aqui.

Por se tratar de uma obra de suspense, o anime tenta o máximo possível segurar as respostas para as diversas perguntas que apresenta no decorrer de sua trama. É um artifício comum nessas produções, mas que aqui acaba sendo mal aplicado e torna toda a história arrastada, principalmente em seus primeiros seis episódios. Isto faz com que não somente o anime se torne massante, mas ele abra mão de um maior envolvimento do espectador com os personagens e o universo da obra, de modo que cenas que deveriam ser dramáticas, importantes e causar alguma comoção – como a do final do episódio 6 – se tornem apenas sequências de melodrama barato.

O que B: The Beginning faz é o inverso, por exemplo, de Puella Magi Madoka Magica. Se em Madoka, o clima se suspense só vai aumentando no desenrolar dos episódios, com novas situações criticas sendo construídas, sem revelar os maiores segredos da trama antes do fim, em B: The Beginning o suspense é em grande parte monótono, anda em círculos e é um tanto quanto previsível – é fácil descobrir quem é um dos principais vilões da narrativa – de modo que quando um dos personagens diz que “todos estão agindo de forma tão previsível que chega a ser engraçado” a fala se torna quase metalinguística.

Se não bastasse tudo isso, o roteiro ainda apela duas vezes pela mesma ladainha do “cara que precisa resgatar a personagem feminina”. Aliás, as personagens femininas são um grande problema no anime, pois, por vezes, é utilizada demasiada violência contra elas, um elemento quase fetichista e que nunca se repete quando a violência é aplicada a um personagem masculino. Coloque aí ainda o fato da personagem Lily, que deveria ser uma das protagonistas da série, ser um tanto quanto imatura, e mesmo que os outros personagens digam a todo o momento que ela é muito inteligente, ela só consegue solucionar um determinado “mistério” da trama a partir de um raciocínio ridículo sobre preferências alimentícias.

Ainda que tenha problemas no desenvolvimento de seu suspense, o anime não deixa de trazer algumas surpresas. Há na verdade uma reviravolta interessante no penúltimo episódio da trama, sendo uma pena que isto ocorra justamente já no fim da série. Além disso, o anime consegue desenvolver de forma eficiência a narrativa referente a Keith, apresentando de forma clara e eficiente suas motivações, bem como as motivações de seus inimigos. Já a narrativa de Koku é mais problemática, genérica e só se torna realmente interessante quando se une à história de Keith.

Apesar de possuir sequências de ação, esse não é o foco principal da obra, o que explica o fato de algumas lutas ocorrerem quase que fora da visão do espectador, com apenas linhas e sons sendo mostrados na tela. A animação, porém, é razoavelmente boa e não decai ao longo da temporada, um problema cada vez mais comum em grandes animes.

Trazendo um elenco secundário de personagens inexpressivos, e que vez ou outra agem de forma estranha apenas por capricho do roteiro, a narrativa B: The Beginning apela para plot-twists em quase todos os seus capítulos, e ainda assim caí em clichês de narrativas policiais e animes de ação.

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Review: Ducktales – Os Caçadores de Aventuras

Lançada no final da década de 80, o seriado de animação DuckTales – Os Caçadores de Aventuras foi responsável por fazer com que diversas crianças mundo afora se apaixonassem por personagens como o Tio Patinhos e seu trio de sobrinhos. Agora a Disney busca emular o mesmo sucesso com um reboot dessa série clássica.

O novo DuckTales chega com às telas da televisão com um novo design para os personagens já conhecidos, bem como uma história que promete não só entreter os fãs de longa data do primeiro seriado, bem como agradar o público mais novo, que está tendo contato agora com as aventuras do Tio Patinhas. Durante um sessão especial para a imprensa, a Disney exibiu os dois primeiros episódios da série que deram um gostinho de como a animação vai se desenvolver.

É um início bem simples para série. Boa parte da metade do primeiro episódio busca apresentar os personagens aos jovens espectadores. Tio Patinhas é visto como um ricaço mal-humorado, mas que no passado foi um grande aventureiro. Ele não vê o sobrinho, Donald, há dez anos, devido a um conflito que os dois tiveram no passado (esta última parte fica subentendida por alguns diálogos).

Donald, por sua vez, vive em um barco velho com seus três sobrinhos: Zezinho, Luizinho e Huguinho. Quando precisa fazer uma entrevista de emprego, ele é obrigado a deixar o trio com Patinhas (e só nesse momento os três descobrem que o famoso Patinhas é seu tio-avô). A partir daí se abre a oportunidade para que o trio envolva Patinhas e Donald em várias aventuras.

A nova animação promove algumas mudanças em relação ao programa original. Agora os capítulos são muito mais sequenciais, com uma pequena história que vai evoluindo aos poucos, em contra ponto às tramas episódicas do desenho da década de 80. Outro detalhe é a participação de Donald no elenco regular da série, já que o personagem aparecia apenas em alguns poucos episódios da DuckTales original – e vale ressaltar que ele está bem menos mal-humorado no novo desenho.

Os personagens mais jovens também estão mudados, principalmente Patrícia, a única protagonista feminina. Enquanto na série antiga ela era uma criança imatura e doce, na nova série, ela é uma pré-adolescente mais ativa e que até mesmo sabe lutar. Já os irmãos Zezinho, Huguinho e Luizinho, apesar de mais velhos, continuam com o mesmo jeito travesso de sempre, e acabam funcionando quase como um personagem único de tão similares que são em relação às suas personalidades. A única exceção é Zezinho, que se mostra por vezes como o mais inteligente e contestador do grupo, buscando sempre provar que é tão capaz de enfrentar uma aventura quanto os adultos.

Claro, o problema dos três irmãos que parecem ser um só pode acabar mudando conforme a trama evolui. Quem sabe o público venha a conhecer mais da personalidade única de Huguinho e Luizinho, mas pelo que foi apresentado nos primeiros episódios, esses dois eram bem parecidos e acabavam apagados pelo terceiro irmão.

A série tem boas piadas, ainda que apele em alguns momentos para um humor já batido (como quando Donald quase pega fogo ao tentar proteger Zezinho). Já a questão da aventura é pouco mais fraca, pois mesmo com alguns embates com inimigos interessantes, as soluções encontradas para os problemas da trama são bem simplórias e até mesmo tira aquela sensação de perigo que poderia envolver os personagens.

A nova DuckTales – Os Caçadores de Aventuras apresenta alguns ganchos interessantes entre os episódios, mas a história parece se desenrolar com certa agilidade. Desse modo, fica a pergunta se os roteiristas conseguirão fazer com que o programa continue atrativo ao longo da primeira temporada e não passe aquela impressão de que estão apenas enrolando o espectador com tramas desnecessárias. Ao menos pelo que foi mostrado nessa prévia, a série tem calibre para isso.

Review: Sailor Moon Crystal Season III

Sailor moon crystal

O início de vida de Sailor Moon Crystal não foi fácil. Embora bastante aguardado, o anime decepcionou velhos e novos fãs com uma animação cheia de falhas e que não empolgava. Sabendo disso, a Toei Animation preparou uma surpresa para os espectadores do anime em seu terceiro arco: uma mudança no traço dos personagens, estratégia essa que funcionou não só para atiçar novamente a ânsia de alguns pelas aventuras de Usagi, mas também para dar um ar de novidade ao anime.

Sailor Moon Crystal Season III chegou trazendo para a tela da TV uma versão mais fiel ao mangá do arco Death Busters (ou Infinity, como é conhecido entre alguns fãs) que coloca as guerreiras em confronto com as forças do misterioso Pharaoh 90, além de apresentar 3 novas sailors, completando todo o time das 10 principais sailors do sistema solar já vistas no anime antigo.

De início, houve quem reclamasse do novo traço, porém, logo no primeiro episódio da temporada pode-se notar uma melhora significativa na animação, que agora era mais fluída e por que não dizer, mais bonita de apreciar. Isto é claro, não livrou o anime de pequenos erros nos desenhos das personagens durante os 13 episódios do arco, mas a melhora na qualidade da série é admirável, assim como o cuidado da Toei Animation, que parece estar mais atenta às reclamações dos fãs na questão má qualidade de animação (sendo possível ver progressos realizados não somente com Sailor Moon, mas com outros animes como Dragon Ball Super e Digimon).

Com o novo arco, a Toei também investiu em novas sequências de abertura e encerramento, cujo o espírito evocado era muito similar ao do anime da década de 90, com suas músicas fofas, mas de forte impacto. As sailors também ganharam novas transformações, que ficaram no geral bastante bonitas no traço novo, com destaque para as transformações de Sailor Moon e Chibi-Moon.

As sequências de ataque voltaram de forma bastante satisfatória, o que deixava cada cena de ação com um charme especial. Os que mais se sobressaíram foram os ataques das Sailors Uranus, Neptune e Pluto, além de golpes ainda não vistos de Jupiter e Venus (essas duas sailors que roubaram a cena diversas vezes). Em questão de batalha, um dos melhores momentos da temporada foi a luta das primeiras quatro Sailors contra as novas Sailors sob o controle da vilã Cyprine, e a batalha contra a bruxa Tellu (uma sequência incrivelmente animada, que infelizmente terminou rapidamente com um golpe mortal da Sailor Pluto contra a inimiga).

Com a união das 10 sailors, havia muito temor de que Sailor Moon Crystal Season III não conseguisse desenvolver de forma satisfatória todas as suas suas personagens, uma vez que o próprio mangá é muito mais focado em Usagi/Sailor Moon e as primeiras temporadas acabaram falhando em dar profundidade para as outras personagens. Felizmente, alongando um pouco alguns fatos do mangá, Sailor Moon Crystal Season III conseguiu oferecer aos espectadores personagens muito bem elaboradas.

Graças a este aspecto, relacionamentos como os de Haruka com Usagi, e a amizade de Chibiusa e Hotaru se desenvolveram de forma plausível e deram mais vigor à história. O anime também possibilitou que os fãs vissem todo o potencial da Sailor Saturn, e entender o porquê da personagem ser a tão temida “Deusa da destruição”. O único personagem que acabou ficando jogado para escanteio foi Mamoru/Tuxedo Mask, mas a realidade é que o personagem fez pouca falta aqui.

Entretanto, nem tudo são maravilhas no reino do Milênio de Prata de Sailor Moon Crystal Season III e os problemas foram aparecendo ao longo da temporada. Um dos maiores erros do anime em geral estava na parte sonora. Enquanto as músicas de abertura e encerramento eram boas, os efeitos sonoros utilizados em ataques e em cenas de transformação deixavam muito a desejar e foi um choque assistir Neptune e Uranus se transformarem sem o épico tema utilizado nos anos 90. Os efeitos aplicados para a destruição dos daimons (os inimigos dessa temporada), também eram toscos, com fumacinhas feias que pareciam ter sido elaboradas para algum comercial de TV com baixo orçamento.

Claro que nenhum desses erros acabou estragando o anime, mas com um maior cuidado, Sailor Moon Crystal Season III podia ter se tornado ainda mais memorável para os fãs. O que resta agora é esperar uma Season IV, uma vez que o episódio final já deixou um ótimo gancho para a próxima temporada, fazendo com que os fãs e espectadores ficassem ainda mais aflitos para curtir a continuação da história de Usagi e seu grupo de heroínas.

Review: Sailor Moon Crystal – Arco 1

sailor moon crystal 1

Texto originalmente publicado em 18 de janeiro de 2015

Desde de Julho do ano passado está em exibição no Japão e no Brasil via streaming o anime “Sailor Moon Crystal”, nova adaptação  do famoso mangá de Naoko Takeuchi. Garantindo ser mais fiel ao mangá do que a adaptação original de 1992, a produção cumpriu sua promessa, ao mesmo tempo em que deixou a desejar em determinados quesitos – e aquele anime que pareceu tão promissor, não alcançou todo o potencial que podia.

De fato, “Crystal” seguiu o mangá fielmente, e ainda foi capaz de adicionar mais detalhes a trama de alguns personagens e se tornar um complemente da obra original. Um grupo de personagens que recebeu maior atenção nessa nova versão foi o grupo dos 4 Reis do Dark Kingdom, a organização vilã do primeiro arco de Sailor Moon. O passado de Jadeite, Zoisite, Kunzite e Nephrite foi explorado de forma que nem mesmo o mangá havia feito, bem como a relação deles com as quatro guerreiras Sailors guardiãs da princesa da Lua. Isto trouxe um maior arco dramático não só para os vilões, mas também para as heroínas Sailor Mars, Mercury, Vênus e Júpiter.

Por outro lado, a história de Usagi, a Sailor Moon, junto de Mamouro não se diferenciou muito daquilo que muitos já sabiam. A Rainha Beryl, uma das principais antagonistas, teve uma participação maior neste novo anime, mas nada que realmente chamasse a atenção. Ainda assim, essas histórias foram bem desenvolvidas e como principal foco do primeiro arco, foi capaz de manter o espectador interessado em seu desenrolar durante a maior parte do tempo.

A trilha sonora é charmosa (ainda que não tão charmosa quanto a do original de 1992) e os temas próprios de cada Sailor trouxeram mais identidade para alguns episódios. O problema de “Crystal”, entretanto, foi falhar no que lhe era mais básico: a animação.

O que se viu durante os 14 primeiros episódios pouco parecia com as belas imagens de divulgação do anime. Olhos tortos, braços que se moviam como se fossem feitos de borracha, lutas mal animadas, esse pequenos erros foram crescendo durante os episódios até que chegou a um ponto que era difícil assistir “Crystal” e de fato sentir a emoção transpassada pela história, pois a todo momento os erros da animação desanimavam quem assistia. Agora a Toei tenta corrigir esses erros com o lançamento em DVD no Japão, mas poderia ter feito isso antes, durante o processo de produção – é difícil acreditar que os animadores não perceberam que havia algo errado ali antes.

Não é como se tudo tivesse sido mal feito, muito pelo contrário. O primeiro episódio foi bem animado, assim como o quinto (o melhor na minha opinião) e o décimo quarto. As transformações das Sailors também eram divertidas, conseguindo misturar o 2D e o 3D de forma agradável e as cores do anime traziam beleza para a produção. Porém, com a quantidade de outros erros, muita gente ficou desanimada, e aqueles que já criticavam o visual do novo anime, tiveram mais um motivo para falar mal de “Crystal”.

Resta agora esperar que no “Arco 2 – Black Moon”, a Toei corrija seus erros e entreguem aos vários fãs de “Sailor Moon” um produto a altura daquilo que eles esperam, pois, história eles já tem, só precisam se preocupar em não cometer as mesmas gafes com a animação.

Review: “A Lenda de Korra” 4ª e Última Temporada

korra livro 4

Desde “Avatar: A Lenda de Aang”, os criadores da série, Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, nunca se amedrontaram em tratar de assuntos considerados maduros e dramáticos para uma audiência infanto-juvenil. Muito pelo contrário, isso foi o que deu força à narrativa de Aang e com “A Lenda de Korra” não foi diferente.

O início do Livro 4: Equilíbrio, que simboliza a quarta e última temporada, trouxe uma heroína abatida psicológica e fisicamente pelos eventos da temporada anterior. Durante estas quatro temporadas, Korra sofreu, bem mais do que Aang, mas também evoluiu. No começo desta temporada, ela passou um longo tempo longe de seus amigos, e por um momento, até de seus familiares, mas isto fazia parte de sua trajetória. Apesar de estar abalada mentalmente, a Korra que surge no começo desta temporada era uma Korra mais humilde e por vezes sábia do que aquela vista no Livro 1: Ar, e que se transformou ainda mais durante este último livro.

Korra enfrentou seus medos, ficou mais forte e aprendeu a perdoar seus inimigos. Ela também entendeu que em seu papel como avatar, estará sempre aprendendo para se tornar uma pessoa melhor. Só analisando como Korra se transformou nesse livro (tornando-se uma personagem até mais carismática), já é possível ver como esta última temporada soube desenvolver bem sua linha narrativa. Embora nem sempre tenha sida o mais surpreendente, todas as atitudes e escolhas dos personagens, bem como as saídas narrativas, foram bem plausíveis, ao menos naquele universo.

Além de Korra, o outros protagonistas não ficaram esquecidos. Tivemos a relação de Bolin com Opal, que começou conflituosa, mas acabou em um final feliz. Mako teve maior importância como guarda-costas do arrogante, porém, engraçado, príncipe Wu (que também aprendeu algumas lições) e Asami, além de se aproximar de Korra, algo que já ia sendo desenvolvido aos poucos na terceira temporada, perdoou seu pai pelos erros cometidos no início da série.

Toph, uma das personagens mais amadas de “A Lenda de Aang”, fez uma participação especial, ajudando Korra a se tornar uma avatar melhor e se desculpando pelo erros cometidos no passado com suas duas filhas, Lin e Suyin. Em uma ótima cena de um dos episódios, os roteiristas da série até fizeram uma rápida brincadeira com um dos mistérios da série: quem seria o pai de Lin? A relação das duas irmãs também cresceu (ainda que já estivesse estável desde a temporada passada), com as duas estrelando algumas ótimas sequências de ação.

Um dos destaques da temporada foi a vilã Kuvira. Embora ela não tivesse a mesma relação intimista com Korra que os outros vilões da série tiveram, ela demonstrou bem as ambições e os meios utilizados por um ditador. Kuvira era a figura da ditadura militar que faltava a série. Ela também era o espelho de Korra, algo que ficou bem explícito no fim da temporada. Ambas tinham ambições similares, mas escolheram lados opostos.

O alívio cômico ficou com o divertido Meelo (que teve poucas, mas memoráveis cenas, além de um episódio para ele e seus irmãos) e Varrick, que se aliou a Bolin e começou a perceber que gostava de sua ajudante Zuh Li, com quem no final acabou se casando. Engraçado que até mesmo Zuh Li sofreu transformações nesta temporada, finalmente revelando seus sentimentos para Varrick. E se houveram personagens que ficaram diminuídos durante este quarto livro, o motivo era simples: suas histórias já haviam se fechado nas temporadas posteriores e inseri-los aqui não iria funcionar.

As personagens femininas forte foram as estrelas de “A Lenda de Korra”, não só nesta temporada, bem como nas outras. A protagonista aqui é uma mulher, mas ela tem a ajuda de outras mulheres, como Jinora e as irmãs Beifong, e nesta temporada especifica lutou com uma, em duas ótimas sequências de batalhas (as duas em episódios separados), mas sua relação mais forte foi com Asami.

O final que os criadores deram para a série, deixando no ar se Korra e Asami formaram um casal ou se eram apenas amigas saindo no mundo para viajar, foi mais do que digno e possível das duas interpretações. Se você acha que as duas eram apenas amigas, tudo bem. Mas na minha opinião, talvez tenha ficado explícito que, assim como Varrick apreendeu, amar alguém significa ser parceiro desta pessoa. Korra e Asami eram parceiras e provavelmente amantes, uma vez que a montagem da cena final de “A Lenda de Korra” é basicamente a mesma em que mostrava Aang e sua futura esposa Katara se beijando, faltando aqui apenas o beijo. Também vale lembrar a última coisa que Tenzin disse a Korra: a vida é uma viagem instável, e talvez o que DiMartino e Konietzko queira expor para o público é que no amor isso também não é diferente.